quinta-feira, 31 de julho de 2008

Se a brincadeira de correr vale a pena à queda...

Era uma vez um menino
aos cuidados do mundo
e o mundo aos cuidados do medo
e o medo aos cuidados do desejo
e o desejo aos cuidados da pele
e a pele aos cuidados da própria carne viva
cuidado menino, cicatriz é pro resto da vida
mundo de medo, cuidado menino, quais leva.
T.R.M.O.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Se tinha, ainda leva...


No meio da estrada
Tinha amor tem
Tava de pasagem

No meio do amor
Tinha via atoa teve
Lá asfalto gasto

No meio do caminho
Tinha carinho todo
Tava perto de chegar

No meio do carinho
Tinha atalho teve
Lá longe de casa

No meio da cidade
Tinha liberdade toda
Tava talante

No meio da liberdade
Tinha saudade tem
Lá devaneio

No meio da vontade
Azo libido tinha
Tava lá indiferente
T.R.M.O.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Soneto (piano som de encontro)

O que dizem
Quando cruzam-se olhares
Seu e meu

O que dizem
Quando chegam-se palavras
Sua e minha

O que dizem
Lá da esquina
Lá do céu

O que somos
Caneta e papel
Tinta água fesca
Você e eu

O que somos
O sim e o não
Nós dois

O que somos
Sal e suor
Sozinhos

O que fomos
Feito partitura
E piano
Soneto!
T.R.M.O.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dos Sonhos I (Sigmund Freud m'explica)

[...]O sonho é uma gama de perguntas noturnas de outrora, muito embora doravante; feito explicitas cenas d'um Longa Metragem censurado (pela vazão do momento?) gravadas, filmadas e protagonizadas pelo cérebro com cenas exclusivas, tempestivas e intempestivas, do cotidiano intersubjectivo, sobre o que se deve fazer já n'outro dia bem de manhazinha...?
T.R.M.O.

Dos Sonhos II (Discussão manhã fria)

“Pega antepara parapeito; pensa anda abeiras
Suscita sintetize saia; siga anda ambula”

Pensas, pairar, fugir e animar;
Quem, o quê será

Pára, parar de tentar
E até fazer, soubesse, fazia

Dessabes, recomenda, assim:
Encomendas além das prendas

Facejes falsetes ante atitudes, ato normal
Tanto quanto sucedeu afaz natural
Quase era, em estado, como tens (passado)

Quem tudo cogita ter, não atenta
Tão bem, que se passa quase erudita-se
Veja bem

Antes que tenha-te a esquecer
Antes que tenha-te acabará
E depois por quê
Se já teve dia

Ainda vês, prestes
Ao que sabes que não frui
Ainda mais resquício sem, fica pertencer-te,
Tenta por pensar querer, sempre tanto, vã
A tens

Erma
A espera de um bem
Ou um dia quem diria
Outra mercê de regalias
Que vem a quem

Profunda fixação inanimada serdes;
Virás, além de quem, sobrepor
Co’a simples retórica tens....?

Além do bem
Pessoa
Além do mais

Bom Dia...
T.R.M.O.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A conversa entre Tempo e Dor (duas palavras)

Tomar irei
estender-me
vos transbordar
albores afora

que abrigue tamanha
tanta memória
que também incorro
postas entranhas
Sou o Tempo!
o fragmento perene

Vinha Tempo andando com seus ponteiros e, defronte Dor, pensou:

“Licença, que ei de passar, porcausa de uma dor vencida?"

-eu paro
-eu passo

-não sou de passar
-não sou de parar

“Licença, que ei de cessar, porcausa de um tempo pretérito!”

Seguiu Dor andando com seus pesares presumidos e, passado Tempo, pensou:

Alcançar irei,
todavia, vossas gerações.
Careço precisar que correr,
linhas sempre eloqüentes

em demasia transcendidas
no vão de um teto
ludibriado, concernente
que tudo ser perecido.
Sou a Dor!
a permuta breve.

T.R.M.O.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

pro'ce ve (o) que (foi) [ou palavras perdidas]

N a o e n a d a
A l m E I J A R
O e l a B O r A D O²

S e x t o S E n t i d o
E n t r e o U t r a s:

P a s T O R I N H A
O D A L I s c a
D e s e j o s a
E s p o j a d a

F a n t A S i a s ;
I n d I v d U A l
C A R I C a t u r a
A M e S t r a D A;
R O g A r A M

S E M p r e
E x a u r A² M
M O r b i D A s

V o n T a D e s
O p O s t A s;
C o I s a s
E M p e N H A v e i s


T.R.M.O.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Dengo mundo danado

Carro fumaça inalar
Estranhos em casas
Portas adesivo colar

dengue
mundo
d´água
parada
[ambiente

Água ali
Ta parada
Água limpa
Ta propício

dengo-de
mosquito
n'água
parada
imune]

Grassar reincidente
Sobra amor fundo
Entulho displicente
Às pressas jogado

enjoada
poça
desaguada
chuva

Sal, água e açúcar
Descuido salgado
Da ultima chuva
Choro caseiro

Sol e vento
Incúria solvente
Cuidado remoto

Condenada
Calamidade

Próximos verãos
Metamorfose estúpida
Lágrima ajunta

Sertão
Clama chuva
Cidade enxuta
Repudia

mas chama
"mosquito esquisito"
chuva danada, dona Maria

"Voa do pneu encostado do Zé
pode precisar pra ganhar pão
Voa da garrafinha lá da Matilde
pode precisar pra decorar brindes
Voa do plástico pertence do Cerqueira
pode precisar pra vender fruta na feira
Voa da piscina e da casa de praia da Dondoca
pode precisar pra praticar festa pouco remota"
T.R.M.O.