terça-feira, 22 de julho de 2008

A conversa entre Tempo e Dor (duas palavras)

Tomar irei
estender-me
vos transbordar
albores afora

que abrigue tamanha
tanta memória
que também incorro
postas entranhas
Sou o Tempo!
o fragmento perene

Vinha Tempo andando com seus ponteiros e, defronte Dor, pensou:

“Licença, que ei de passar, porcausa de uma dor vencida?"

-eu paro
-eu passo

-não sou de passar
-não sou de parar

“Licença, que ei de cessar, porcausa de um tempo pretérito!”

Seguiu Dor andando com seus pesares presumidos e, passado Tempo, pensou:

Alcançar irei,
todavia, vossas gerações.
Careço precisar que correr,
linhas sempre eloqüentes

em demasia transcendidas
no vão de um teto
ludibriado, concernente
que tudo ser perecido.
Sou a Dor!
a permuta breve.

T.R.M.O.

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